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Seu filho está seguro na internet? O guia que todo pai e mãe precisam ler

Predadores digitais, cyberbullying e exposição de dados — os riscos que rondam crianças e adolescentes online e como protegê-los de verdade.

Elias da Mata
Elias da Mata
Criança usando tablet com escudo digital de proteção ao redor simbolizando segurança infantil na internet 92% das crianças brasileiras entre 9 e 17 anos já acessam a internet — muitas delas sem nenhuma supervisão adulta. © Foto: Freepik / VURA Notícias

Em abril de 2025, uma menina de 8 anos morreu em Ceilândia (DF) após inalar desodorante em spray. Ela havia sido desafiada por uma postagem nas redes sociais a aspirar o gás pelo maior tempo possível, filmar e compartilhar. A família a encontrou desacordada ao lado do celular.

No mês seguinte, um homem foi preso em Holambra (SP) acusado de aliciar crianças em jogos online, oferecendo moedas virtuais e contas VIP em troca de fotos e vídeos íntimos. A denúncia foi feita pela avó de um menino de 11 anos após ela ler mensagens suspeitas no WhatsApp do neto.

Esses não são casos isolados. São o retrato de uma realidade que atinge milhões de famílias brasileiras todos os dias — e que a maioria dos pais ainda não enxerga como ameaça real, porque o perigo está dentro de casa, na tela do celular do seu filho.

Qual é o cenário real das crianças brasileiras na internet?

O Brasil está entre os países onde crianças e adolescentes mais usam a internet no mundo. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, realizada pelo Cetic.br com 2.370 crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos, 92% desse grupo já acessa a internet regularmente. O dado mais alarmante: 28% iniciaram o uso antes dos 6 anos de idade — quase o triplo do percentual registrado em 2016. E os adolescentes ficam, em média, 4 horas por dia conectados, além do tempo escolar.

92%
Das crianças de 9 a 17 anos acessam a internet no Brasil (TIC Kids 2025)
63mil
Denúncias de abuso sexual infantil online registradas em 2025 (SaferNet)
5,6mi
Adolescentes que podem já ter sofrido violência sexual na internet (ChildFund)

"Da mesma forma que era perigoso deixar uma criança de 10 anos sozinha numa praça de grande cidade, precisamos entender que agora é perigoso deixá-la sozinha na internet — que é simplesmente a maior praça pública do mundo." — Pilar Lacerda, Secretária Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, 2025

Os principais riscos digitais para crianças e adolescentes

Conheça cada ameaça, como ela funciona e quais são os sinais de alerta para identificar se seu filho está sendo afetado:

  • Predadores Digitais (Grooming): Adultos que se aproximam de crianças em jogos online, redes sociais e aplicativos de mensagens, fingindo ser colegas ou amigos. Constroem confiança aos poucos e manipulam as vítimas para obter fotos, vídeos íntimos ou encontros presenciais. Sinal de alerta: criança muito secreta com o celular, recebe presentes ou benefícios virtuais de "amigos" desconhecidos.
  • Cyberbullying: Humilhações, ameaças, difamações e perseguições realizadas por meios digitais — redes sociais, WhatsApp, jogos. Em 2024, mais de 2.300 denúncias de bullying foram registradas em escolas, com aumento de 67% em relação a 2023. Sinal de alerta: filho ansioso ao usar o celular, chora após usar redes sociais, se isola ou recusa ir à escola.
  • Exposição a Conteúdo Inadequado: Pornografia, violência extrema, desafios virais perigosos (como o que matou a menina de 8 anos) e conteúdo que incentiva automutilação ou transtornos alimentares. Os algoritmos amplificam esses conteúdos para crianças vulneráveis. Sinal de alerta: mudanças repentinas de comportamento, linguagem inapropriada para a idade.
  • Vazamento de Dados e Privacidade: Crianças compartilham sem perceber informações sensíveis — escola, endereço, rotina, fotos — que podem ser usadas por criminosos. Muitos jogos e apps coletam dados de menores sem consentimento real dos pais. Sinal de alerta: filho compartilha localização com desconhecidos, posta fotos identificando escola ou bairro.
  • Dependência Digital e Saúde Mental: A ONU alerta que a superexposição a telas na primeira infância está relacionada a modificações cerebrais, redução da capacidade de linguagem e comprometimento de habilidades sociais. Adolescentes com uso excessivo apresentam taxas maiores de ansiedade, depressão e déficit de atenção. Sinal de alerta: irritabilidade extrema quando o celular é retirado, dificuldade de dormir, abandono de hobbies anteriores.
  • Golpes e Fraudes Direcionados a Jovens: Fraudes digitais contra jovens entre 16 e 29 anos cresceram 43% no primeiro semestre de 2025 (Serasa). Falsas ofertas de emprego, prêmios em jogos, links maliciosos e golpes românticos são os mais comuns.

Dica Rápida

Crie um combinado familiar com seu filho: ele pode te mostrar o que está fazendo online sem medo de punição. Crianças que confiam nos pais para falar sobre o que acontece na internet são muito mais protegidas do que aquelas que escondem por medo de castigo.

Como Funciona na Prática?

Siga este passo a passo para criar um ambiente digital mais seguro para seu filho hoje mesmo:

  1. Ative o Controle Parental no celular: No iPhone: Configurações → Tempo de Uso → Conteúdo e Privacidade. No Android: Configurações → Bem-estar digital → Controles para a família. Configure horários, limite apps e bloqueie conteúdo adulto.
  2. Configure privacidade nas redes sociais: Acesse junto com seu filho as configurações de privacidade do Instagram, TikTok e YouTube. Coloque o perfil como privado, desative localização e restrinja quem pode enviar mensagens.
  3. Ative o Modo Supervisionado no YouTube: O YouTube Kids é ideal para crianças menores. Para adolescentes, ative o Modo Restrito nas configurações do YouTube para filtrar conteúdos inadequados automaticamente.
  4. Estabeleça regras claras de uso: Defina horários permitidos, locais de uso (não no quarto com a porta fechada), quais apps podem ser usados e a regra de não falar com desconhecidos — nem em jogos.
  5. Mantenha diálogo aberto e regular: Converse semanalmente sobre o que seu filho está vendo, com quem está falando e o que está sentindo online. Crianças que falam com os pais identificam e denunciam riscos muito mais rapidamente.

Atenção

Em setembro de 2025, o Brasil sancionou o ECA Digital — Lei 15.211/2025, a primeira lei brasileira com regras e punições específicas para plataformas digitais em relação a crianças e adolescentes. A lei obriga plataformas a verificar a idade dos usuários, proteger dados de menores e implementar ferramentas de controle parental. Você pode exigir que as plataformas cumpram essa lei.

Dicas Importantes

Importante

Se seu filho revelar qualquer situação de abuso, assédio ou contato suspeito por adultos online, não minimize e não culpe a criança. Preserve as evidências (prints das conversas), registre Boletim de Ocorrência e denuncie à SaferNet (safernet.org.br) ou pelo Disque 100 (Disque Direitos Humanos). A criança precisa de apoio, não de punição.

Erros Comuns (e Como Evitá-los)

Estes comportamentos dos pais aumentam significativamente a exposição de crianças a riscos digitais:

  • Dar celular próprio sem supervisão: Dar smartphone pessoal a crianças pequenas sem configurar controles é como abrir a porta de casa para qualquer desconhecido entrar. A primeira configuração deve ser sempre o controle parental.
  • Acreditar que "ele está em casa, está seguro": A secretária nacional de Direitos da Criança alertou: estar dentro de casa não garante segurança digital. A internet conecta seu filho a pessoas do mundo inteiro, sem filtro.
  • Proibir sem explicar: Proibir o uso sem conversar sobre os motivos gera curiosidade e desobediência. Explique os riscos de forma adequada para a idade — crianças que entendem o perigo se protegem melhor.
  • Ignorar sinais de alerta comportamentais: Ansiedade com o celular, isolamento, choro após usar redes sociais, recusa de ir à escola — são sinais que precisam ser investigados com carinho e diálogo, não ignorados.
  • Postar fotos dos filhos sem cuidado: Fotos com uniforme escolar, localização identificada, rotina exposta nas redes dos próprios pais facilitam o trabalho de predadores digitais. Pense antes de postar qualquer imagem dos seus filhos.

Criança Protegida vs Criança Exposta Online

Criança Protegida ✓

  • Controle parental ativo no dispositivo
  • Perfis privados nas redes sociais
  • Regras claras de horário e uso
  • Diálogo aberto com os pais sobre internet

Criança Exposta ✗

  • Acesso irrestrito sem supervisão
  • Perfil público com localização ativa
  • Sem regras definidas de uso
  • Com medo de contar aos pais o que acontece online

Ferramentas de Controle Parental — Guia Rápido

Plataforma Ferramenta O que faz
iPhone / iPad Tempo de Uso (Screen Time) Limita apps, define horários, bloqueia conteúdo adulto
Android Bem-Estar Digital + Family Link Monitora uso, aprova downloads, localiza o dispositivo
YouTube YouTube Kids / Modo Restrito Filtra conteúdo inadequado e canais não verificados
Instagram Supervisão do Instagram Pais acompanham seguidores, tempo de uso e conteúdo
TikTok Modo Família (Family Pairing) Vincula conta dos pais à do filho, controla filtros e tempo
Denúncias SaferNet / Disque 100 Denúncia de abuso, exploração sexual e crimes online

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FAQ — Perguntas Frequentes

A partir de que idade meu filho pode ter celular próprio?
Não existe uma idade ideal universal, mas especialistas recomendam que crianças menores de 12 anos não tenham smartphone pessoal com acesso irrestrito à internet. Antes disso, o uso deve ser supervisionado em dispositivo compartilhado. O mais importante não é a idade, mas a maturidade da criança e a estrutura de supervisão que a família consegue oferecer.
O que é grooming e como identificar se meu filho está sendo vítima?
Grooming é o processo de manipulação usado por predadores para ganhar a confiança de crianças e adolescentes online. Sinais de alerta: receber presentes ou benefícios virtuais de desconhecidos, ficar muito secreto com o celular, mudar de comportamento após usar o app, ter contato com adultos que os pais não conhecem. Se suspeitar, converse sem punir e denuncie ao Disque 100 ou SaferNet.
O que diz o ECA Digital (Lei 15.211/2025) sobre proteção de crianças?
Sancionado em setembro de 2025, o ECA Digital obriga plataformas a verificar a idade dos usuários, proteger dados de crianças, implementar ferramentas de controle parental, combater cyberbullying e exploração sexual online. As plataformas que descumprirem a lei estão sujeitas a sanções administrativas e podem ser responsabilizadas por danos causados a menores.
Meu filho foi vítima de cyberbullying. O que fazer?
Primeiro: acolha sem culpar. Preserve evidências (prints). Denuncie o perfil agressor dentro da própria plataforma. Registre Boletim de Ocorrência — cyberbullying é crime no Brasil. Se houver impacto na saúde mental, busque apoio psicológico. Comunique à escola se o agressor for colega. E mantenha o diálogo aberto com seu filho durante todo o processo.
Como falar com meu filho sobre os perigos da internet sem assustá-lo?
Use exemplos reais adaptados à idade, sem detalhes aterrorizantes. Foque em comportamentos seguros ("não fale com desconhecidos", "me conta se algo te deixar desconfortável") em vez de focar nos horrores. Mostre que você é um aliado, não um fiscal. Crianças que não têm medo de contar aos pais são as mais protegidas.

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Conclusão

A internet é um espaço de aprendizado, conexão e oportunidades — mas também é, como disse a secretária nacional, a maior praça pública do mundo. E nenhum pai deixaria o filho sozinho numa praça desconhecida, à noite, sem supervisão.

A proteção digital dos filhos não é sobre proibição — é sobre presença, diálogo e ferramentas certas. Controle parental ativo, perfis privados, regras claras e, acima de tudo, uma relação de confiança onde a criança sabe que pode contar o que acontece online sem medo de punição.

Comece hoje. Configure o controle parental agora, tenha uma conversa com seu filho sobre internet esta semana e marque este guia para revisitar sempre que surgir uma dúvida. Porque a melhor proteção digital começa em casa. Acesse mais conteúdos em VURA Tecnologia.



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